Valerá a pena gastar 13 mil euros para adquirir a CLS Shooting Brake 350 CDI em detrimento da 250 CDI? Depois de uns dias ao volante deste V6 turbodiesel de 265 cv a resposta passa a ser mais passional do que racional. Porquê? Porque sim...




Poucos utilizadores se irão queixar das prestações da Shooting Brake 250 CDI e menos ainda se lembram que é um “vulgar” quatro cilindros, mas depois de passarmos uns dias ao volante da CLS 350 CDI percebemos porque é que, para alguns, os 13 200€ que separam as duas versões são perfeitamente justificados. Só o mais nobre seis cilindros, turbodiesel, de 265 cv faz verdadeira justiça ao espantoso cruzamento de uma carrinha e de um coupé. Obviamente que as prestações ficam a ganhar e que o 350 CDI é sempre mais rápido, com vantagens de mais de um segundo nos 0 a 100 km/h e nos mil metros de arranque, mas a grande diferença está na “souplesse” do V6. Apesar das melhorias e dos esforços da Mercedes, as vibrações e o tom de voz esforçado do quatro cilindros acabam por invadir o habitáculo, estragando o encanto de conduzir um dos automóveis mais sui generis e elegantes que o dinheiro pode comprar. O V6 substitui este rumor por um sopro contínuo que disfarça o combustível consumido e os mais de 1900 kg de peso da 350 CDI Shooting Brake.

A caixa automática de sete velocidades (7G-Tronic Plus) torna as “deslocações” ainda mais descontraídas, no que é auxiliada por uns colossais 620 Nm de binário disponíveis logo às 1600 rpm. Por falar em conforto, o de rolamento é assegurado pela opcional suspensão pneumática pilotada Airmatic (1400€) e nem as enormes jantes de 19” com pneus traseiros 285/30 conseguem afetar em demasia a serenidade que se vive a bordo. A extrema atenção ao detalhe e uma qualidade acima da média também contribuem para o referido bem estar a bordo, especialmente nesta unidade que viu o equipamento de série reforçado pelas inúmeras aplicações em pele e até pelo requinte de um tejadilho forrado alcantara. Assim, não é de estranhar que o preço da unidade ensaiada supera alegremente os 112 mil euros. Muito dinheiro, se compararmos com uma carrinha tradicional, mas a Shooting Brake não é uma proposta tradicional e muito menos vulgar. Embora os 590 litros de capacidade na mala e o espaço interior a coloquem em evidência mesmo quando comparada com as referidas carrinhas. Aliás, a julgar pela reação estupefacta de quem com ela se cruzava, os mais de 100 mil euros até já nem parecem tão exagerados. Acredite que é preciso procurar algo de verdadeiramente exótico ou estupidamente mais caro para provocar semelhante impacto.  

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