Por detrás de um “switch” esconde-se uma alma endiabrada: a nova versão do Punto Abarth tem mais dez cavalos, um “mini-manettino” e pode ser comprada por menos de 22 mil euros.




A maior novidade do Abarth Punto Evo está no facto do 1.4 Turbo Multiair ter agora 165 cv e um “mini-manettino”, como nos Ferrari, mas aqui apenas com duas parametrizações: Normal e Sport. São duas facetas completamente distintas, porque assim que se activa o “S” este Abarth transforma-se num diabrete. Basta tocar no selector (colocado em frente à alavanca da caixa) e manter o mesmo ângulo de acelerador para perceber a diferença: o Punto salta, atira-se para a frente, quase bruto, mudando de imediato a sensibilidade da direcção e a reacção de toda a electrónica que usa os sensores dos travões. A inserção em curva é certa, o Punto vai sempre para onde queremos.

Mesmo em desníveis ou em piso menos bom, o guiamento da suspensão dianteira ajuda a manter o trilho, quase sem ressaltos, sem tocar o batente. E isto num Punto 10 mm rebaixado face ao que é normal e com pequenos apêndices laterais. É fácil – muito fácil – andar a brincar com a descompensação da traseira e nem precisa ser a grandes velocidades. Pode acelerar-se cedo a sair das curvas, porque, no limite, o Torque Transfer Control irá actuar como uma espécie de autoblocante, para ajudar a completar o raio da curva.

O TTC activa-se sozinho e até faz com que a faceta mais divertida do Abarth seja travar tarde e acelerar cedo: a deriva da traseira quase nem pede volante para correcção. O acelerador, ansioso de tão sensível que está no modo “S”, faz o trabalho todo.

Este é o lado “diabinho”. E o “anjinho”? Bom, para ser sincero, não serve para mais do que para o dia em que vai ter que emprestar o carro à mulher para ela ir às compras. Se existe o modo “S”, não faz sentido usar o “N”, porque fica sempre a sensação que metade do motor ficou em casa. Passa a ser preciso carregar mais no acelerador e, em última análise, gasta-se mais combustível.

Em cidade, o start/stop também funciona no modo Sport e o Punto Evo fica a precisar de muito menos acelerador para se mexer. Mas não se consegue andar calmamente durante muito tempo, mais não seja porque o barulho abafado do escape é demasiado provocante. E lá vem o diabrete outra vez, para fazer disparar o consumo – a ritmo verdadeiramente desportivo – para o dobro do normal. Isto é, para perto dos 20 L/100 km.

Resta dizer que tudo isto se passa enquanto nós vamos, impecavelmente, bem sentados. Esta versão tinha os bancos em pele Abarth que até ajudam a que o Punto Evo nunca seja desconfortável. Mas, por 1652 euros, já é possível encomendar o carro de fábrica com uns Sabelt em pele preta que são verdadeiras bacquets de competição.

 


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