Com a chegada da nova geração do Classe A, a Mercedes entra no barco onde já estão, desde há poucas semanas, o BMW Série 1 e Volvo V40. Para combater as versões mais baratas, 116d e D2, respetivamente, a Mercedes aposta num motor 1.5 Turbodiesel com designação 180 CDI. Caro leitor, segue-se o combate do ano, com os melhores e mais acessíveis Premium do mercado.


A chegada do novo Mercedes Classe A é sinal de alarme para a concorrência. O estilo mais jovem e dinâmico, assumido pela marca de Estugarda desde o lançamento do Classe C em 2007 foi bem transportado para o seu modelo mais barato que tenta cativar um tipo de cliente diferente, nomeadamente os que começam a recuar dos segmentos superiores, mas não dispensam um Premium. O motor Diesel de 1,5 litros e 109 cv de origem Renault permite à Mercedes colocar o Classe A ao nível da concorrência mais direta que já recorre a blocos de baixa cilindrada há mais tempo.

O que esta nova proposta de Estugarda tem em comum com os seus opositores neste comparativo é a boa qualidade de montagem da carroçaria, borrachas bem colocadas e painéis bem alinhados sem folgas pronunciadas. Tratam-se, efetivamente, de três modelos com rigor de montagem num plano elevado. Ainda assim o BMW consegue destacar-se em pormenores como a menor área de chapa à vista no interior, ou o amortecedor no capot que o Mercedes e Volvo mantêm a tradicional vareta.

Formosos e seguros
Já na segurança o caso muda de figura. Mercedes e Volvo estão um passo à frente do BMW. Para além de proporem de série sete airbags no habitáculo, com um de joelho para o condutor, apostam em sistemas de segurança ativa que prestam um precioso auxílio no trânsito urbano. No Classe A, o Collision Prevention Assist faz a prevenção da colisão até aos 130 km/h através de bips e luzes e prepara o sistema de travagem: assim que o condutor toca no pedal, o A trava a fundo. No da Volvo o próprio sistema trava o carro mesmo sem ação do condutor quando deteta a possibilidade de uma colisão a baixa velocidade.

Espaço a gosto
Nas bagageiras o equilíbrio prevalece e a diferença entre as três é escassa. Todavia, é a mala do BMW que apresenta o valor mais elevado com 360 litros. O Mercedes e o Volvo disponibilizam números um pouco inferiores com 341 e 335 litros respetivamente. O acesso às três é bom e o formato interno facilita a tarefa de arrumação.

Ao contrário do que seria de esperar, e considerando que o Classe A deixou de ser um monovolume para passar a ser um familiar compacto, o espaço interior acaba por ser superior aos outros dois concorrentes. As diferenças são pequenas, mas existem. O BMW Série 1 é o que oferece menos espaço para as pernas atrás, mas compensa com o facto de ter o banco traseiro mais plano e direito, por isso o que mais facilmente transporta três passageiros. Mercedes e Volvo têm bancos mais cavados mais apelativos e um lugar central para o “desenrasca”.

Distribuir objetos pelo habitáculo em qualquer um dos modelos é uma tarefa simples. Não faltam locais e espaços para colocar telemóveis e carteiras, encostos de braços amplos e bolsas nas portas generosas.

O cuidado verificado na construção da carroçaria faz-se sentir também no habitáculo. As folgas são pouco pronunciadas e verifica-se que poucos detalhes foram deixados ao acaso. Mas uma análise mais pormenorizada revela botões na consola central menos refinados no Classe A e forro do tejadilho em “cartão” no Volvo. O Série 1 melhorou bastante comparativamente à geração anterior e sente-se uma muito ligeira supremacia face aos concorrentes.

Aos comandos
É hora de nos sentarmos ao volante e procurarmos a posição de condução mais confortável. A tarefa é simples já que não faltam múltiplas regulações da coluna de direção e dos bancos em nenhum dos três. Mas o BMW e o Mercedes superiorizam-se ao Volvo que tem um volante de dimensões exageradas e o banco está sempre mais elevado que o pretendido. O BMW peca pela falta de apoio dos bancos de série muito por culpa de um assento pequeno e duro. O Mercedes tem bancos dianteiros integrais (com encosto de cabeça embutido) que para além de serem esteticamente apelativos são confortáveis e muito envolventes.

Já o conforto acústico é superior no BMW pois é o modelo que não permite que a partir do interior se sinta o ruído do motor, protegendo melhor os ocupantes dos ruídos aerodinâmicos e de rolamento. O V40 segue-o de muito perto.

Fáceis de conduzir
Apesar das três unidades ensaiadas estarem equipados com sensores de estacionamento (opcionais nos três), o BMW revela-se mais fácil de conduzir no dia-a-dia. Tem um bom diâmetro de viragem e a direção Servotronic (opcional) é a mais leve em trânsito urbano. A do Volvo é a direção mais pesada nas manobras e obriga a um esforço suplementar. O A segue as pisadas do BMW de muito perto e propõe uma direção bem calibrada que se vai adaptando ao tipo de traçado escolhido pelo condutor.

No campo do conforto, o Mercedes surpreende. Esta unidade com Linha de equipamento Urban sem suspensão desportiva mas com jantes de 17 polegadas e pneus Run Flat destaca-se pelo conforto e pela forma ligeira com que digere mau piso sobressai. O BMW traz jantes de 16 e pneus tipo “balão” criando um excelente compromisso entre conforto e dinâmica. O V40, apesar das jantes de 17 polegadas, conta com uma suspensão mais macia favorecendo a viagem de quem segue no interior. Enveredando por estradas um pouco mais exigentes, as capacidades dinâmicas do Série 1 continuam intocáveis. O BMW curva como um bloco com o eixo posterior a seguir as “pisadas” do eixo dianteiro. E o facto de possuir tracção traseira ajuda no “ajuste” da trajectória correcta, garantindo-lhe uma grande agilidade e um factor de diversão. A direção servotronic é direta e informativa. O Mercedes está muito perto de exibir capacidades semelhantes e a diferença está numa direcção um pouco menos calibrada que no BMW e na ausência da tração traseira. Seguro e muito estável em qualquer ocasião, o A curva bem e depressa, principalmente em curvas rápidas, sempre bem “colado” ao asfalto.

O Volvo mostra-se muito mais filtrado na forma como lida com o asfalto e o amortecimento mais suave que exibe não tem a pretensão desportiva de controlar tão bem os movimentos laterais da sua carroçaria.

Bom andamento
Em termos de prestações, a linearidade na subida de regime do motor BMW, que responde logo a partir das 1300 rpm, garante-lhe a melhor aceleração dos 0 aos 100 km/h. O Mercedes é um pouco mais lento no arranque e na aceleração, mas uma vez embalado consegue velocidades de cruzeiro semelhantes às do BMW. A maior dificuldade está no arranque onde o “hill holder” tem papel fundamental uma vez que nas subidas mais íngremes nunca o deixa “ir abaixo”. Mas um dos grandes trunfos está na caixa de seis velocidades que a Mercedes reclama ser de produção caseira. É suave, precisa e com um escalonamento equilibrado que lhe permite assegurar recuperações mais lestas do que as do BMW.

O Volvo é o mais lento a acelerar e padece do mesmo mal do modelo que lhe fornece o motor. O 1.6 TD é amorfo no arranque e é preciso uma pressão extra no acelerador para que avance normalmente.

O BMW juntamente com as soluções do pacote Efficient Dynamics, muito prático de utilizar nos três modos de condução, consegue uns consumos referenciais para o segmento. Uma média de 4,7 l/100 km é um dado a levar em linha de conta nos dias que correm. O V40 também consegue rubricar consumos de cinco litros e só o Mercedes destoa desta dupla com uma média de 5,7 l/100 km. O peso superior será o principal fator de influência.

Com preços base que começam nos 27 900 euros de BMW e Mercedes e se estendem aos 28 150 euros do Volvo, vão aumentando o preço final ao ganharem extras. Considerando os elementos montados o Volvo e o BMW serão os mais caros, mas compensam com a dotação superior à do Classe A cujo equipamento se resume ao essencial, mesmo com alguns items considerados.

Em suma, o Mercedes entra da melhor forma no segmento, demonstrando ser um excelente produto, apelativo e dinâmico, com argumentos para fazer frente a um Série 1 que está mais maduro e a um Volvo V40 que se assume como uma proposta mais familiar. Resta esperar pelo quarto concorrente de peso, o Audi A3 Sportback, que chega em 2013.  

Assine Já

Edição nº 1454
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes