Sandro Meda

A magia da pechincha

Aqui nestas páginas, todas as semanas vemos e partilhamos exemplos da mais revolucionária e sofisticada máquina, mecanismo, coisa, inventada pelo homem: o automóvel. E, ainda assim, não lhe conseguimos fazer justiça. Este pensamento despoletou-me por um par de acontecimentos que marcaram os meus últimos dias: a avaria quase em simultâneo de umas quantas traquitanas que uso no quotidiano, que também foram inventadas pelo homem, com décadas de evolução, e que apesar da sua “monofunção” e irrisória complexidade, comparada com o automóvel, têm uma fragilidade e perecibilidade assustadora, principalmente considerando o seu custo absoluto, exorbitante.

Uma dessas coisas ficou inutilizada porque a avaria no único “chip” que tem matou a sua única função de registar retratos; outra queimou o único motor elétrico que a faz ser útil, lavando roupa; e a terceira deixou de ter sinal no único cabo que transporta as imagens que têm como única finalidade entreterem-nos.

Refletindo sobre o seu custo, a dificuldade que representa tê-las novamente a funcionar, e a velocidade a que se tornaram, num instante, inúteis, só consigo chegar a uma conclusão: qualquer automóvel, com centenas de “chips”, dezenas de motores e quilómetros de fios, mesmo incluindo a carga absurda de impostos que lhes recai em cima, e sem considerar os benefícios de todo esse dinheiro na sociedade, que também inclui os detratores do automóvel, é uma verdadeira pechincha.

E sim, digo-o depois de ter conduzido e passado uns momentos no Bentley Bentayga que custa mais de 200 mil euros; ou de olhar para os 40 mil euros do Insignia, Mazda e Renault que fazem o comparativo de carrinhas. Todos os automóveis, os de hoje, são um achado para o que representam e dão em troca. Deve ser por isto que é difícil convencer tanta gente a odiá-los.

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